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O cenário não era aquele que a ocasião sugeria, o dia da Confraternização Universal.

Pelo contrário, poder-se-ia até dizer que o dia era o da indiferença, pois de coerente com o que fosse fraternidade, só o convívio daqueles pobres miseráveis esparramados pelo chão, em calçadas e sob marquises.

Alguns, mais privilegiados, com um papelão como colchão, outros nem mesmo isto tinham.

E, por incrível que pareça, havia solidariedade entre eles, seja na troca de um gole de cachaça por um cigarro ou algo para comer. E até um abraço amigo surgia.

Só não havia alegria.

O pouco de movimento nas ruas, tanto de pessoas como de veículos, normal naquele período de final de um ano e inicio de outro, mais acentuava o impacto da miséria humana, escancarando-a.

É de se questionar, e sem qualquer emoção barata, por que não diminuir aquele sofrimento exposto daquelas criaturas esquecidas do convívio social, recolhendo-as a uma prisão onde, pelo menos, se protegeriam da intempérie e, quem sabe, com um prato de sopa e alguma atividade laboral, pudessem se reciclar para uma vida sem uma morte anunciada.

Carlos Roberto de Oliveira

Aquela manhã de um domingo de dezembro, ainda primavera, o levou a lembrar-se de uma época quando estudante em um colégio do interior do Paraná administrado por padres Palotinos.

Como que a contrapor certa melancolia que o dia de Finados provoca, procurou por passá-lo em um espaço cuja energia recebida o induzisse a melhor referendá-lo, isto na tentativa de torná-lo mais leve quanto ao seu objetivo convencionado e que é o da lembrança, com carinho, daqueles que se despediram com antecedência, e partiram.

E, sem se dar conta, viu-se numa estrada ladeada por várias tonalidades de verde esparramando não só um visual exuberante como distribuindo um ar puro a invadir pulmões tão agredidos por agentes invisíveis e poluidores.

Receptivo a esta dádiva da natureza, uma agradável sensação tomou-lhe o corpo, promovendo uma espécie de conciliação da razão com a emoção.

À medida que avançava em seu percurso, atraído pelo ruído mágico representado pela queda de água de várias cascatas que formavam as Cataratas do Iguaçu, pode observar a continuidade do Rio Iguaçu se estendendo, a princípio agitado e depois calmamente, até atingir sua foz, confundindo-se com outras águas e com isto sugerindo sua transformação em uma nova vida.

 

 

 

Permitindo-se conceituar o que seja o tempo, e sem qualquer constrangimento em fazê-lo, o definia enquanto desafio, estupidez, enquanto espaços preenchidos, indução ao sentido da vida.

Irritava-o a preocupação de muitos em tê-lo – o tempo – como algoz, quando na realidade ele age como uma espécie de amigo fiel no processo da vivência.

Os que o contestam, chegando mesmo a não aceitá-lo, seja numa determinada fase da vida ou de forma constante, geralmente o fazem pelo fato de não ter tido sua companhia de forma a considerá-lo como agente transformador no processo de mudança que ele mesmo provoca em sua inexorável evolução, e, mais importante, sinalizando, ou sugerindo, que o tudo e o nada se confundem.

E da falta dessa percepção nasce uma frustração que muitas vezes embota a capacidade de não se dar ao tempo o seu devido valor que é representado, a rigor, pela oportunidade que ele oferece de vivê-lo da melhor maneira possível e, preferencialmente, tendo na utopia o porto seguro.

Carlos Roberto de Oliveira.