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Vamos falar de renovação...na indústria automobilística

Autos e Motos - Roberto Nunes
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A Fiat acaba de aposentar o Palio. O compacto que fez história na indústria nacional sai de linha para dar lugar aos recém-lançados Mobi, Argo e Cronos. Aconteceu com o Uno Mille, cinco anos atrás, e com outros carros importantes de outras marcas, como Corsa e Celta, da GM, e a própria Kombi, ícone da VW. É o ciclo de renovação da indústria.

O Palio trouxe novidades para o mercado na época de seu lançamento, como os airbags frontais, hoje obrigatórios. Ele nasceu em 1996 para ser o anti-Gol, o antagonista do líder de mercado. Mas demorou para o Palio atingir a liderança. Foi só em 2014, por poucas unidades, muito mais pela queda do Gol do que por aumento nas vendas. No ano seguinte, já iniciou-se o reinado do Onix.

O Gol - que liderou o mercado por 26 anos - não só ainda existe como chegou a recuperar participação de mercado e se aproximar novamente da liderança, após a aposta da VW no up! como carro de entrada ter dado errado. Aconteceu justamente em 2014, quando o subcompacto foi lançado com honras de "novo Fusca" e o Gol G4 foi aposentado. Mas o up! não pegou e o Gol perdeu a liderança no ranking de vendas.

O Gol existe desde 1980, mas nasceu bem diferente: era quadrado. Apenas em 1994, com a segunda geração, assumiu o design "bolinha", mais próximo do que é hoje. Dentre seus méritos, ele foi o primeiro carro popular flex do País.

 

No início dos anos 2000 o mercado de populares no Brasil era dominado por Gol, Palio, Uno, Celta, Corsa e Fiesta. Os dois da Chevrolet já saíram de linha e o Fiesta virou "New". Assim a indústria segue seus ciclos.

Liderança

A indústria tem ciclos não só de fabricação, mas de lideranças. Os veículos líderes em vendas hoje surgiram após 2010: Onix e Hb20 foram lançados em 2012 e Chevrolet Prisma em 2013. O novo Ka, que do original manteve só o nome, apareceu em 2014.

Desde 2017, o segmento de hatches ganhou novidades importantes, como os Fiat Mobi e Argo, o Renault Kwid e o Novo Polo. Agora, estes lançamentos começam a ganhar corpo no ranking de vendas.

Longe de mim jogar mau agouro sobre o Onix, mas os números de março me chamaram a atenção. Não acredito que a liderança do hatch esteja ameaçada, mas a distância entre ele e os concorrentes vem caindo desde o início do ano, com Ka e HB20 se revezando nas segunda e terceira posições.

Em dezembro de 2017, o Onix emplacou 17.608 unidades, 9,6 mil a mais que o HB20; em janeiro deste ano, a diferença caiu para 8,4 mil entre o líder e o Ka; em fevereiro, a distância foi de 5,4 mil para o HB20. Os números de março mostram um avanço ainda mais considerável dos modelos da Ford e da Hyundai, bem como do Polo e do Kwid, que ultrapassaram as 5,9 mil unidades vendidas. A diferença do Onix para o segundo colocado (Ka) caiu para 2,8 mil.

 

Aconteceu com os SUVs

Mal comparando, o que acontece agora com o segmento dos hatches aconteceu, em 2014, com os SUVs. Na época, EcoSport e Duster polarizavam um mercado estagnado, até serem atingidos por Renegade e HR-V - primeiramente - e Kicks e Creta, na sequência. O resultado foi uma pulverização nas vendas.

Embora povoado por muito mais opções que o segmento de SUVs, em janeiro de 2017 o segmento de hatches não contava com modelos tão novos. Onix, HB20, Ka, Gol, Sandero e Prisma eram os mais vendidos do País. De lá para cá, foram muitos os entrantes.

Não creio que o Onix perca a liderança de mercado abruptamente, ele tem muitos predicados e ganha em preço e condições de vendas da maior parte dos concorrentes. Mas também não acredito que um veículo hoje tenha condições de se sustentar por décadas na liderança, como aconteceu um dia com o Gol.

A dinâmica hoje é outra. Os consumidores exigem mais e isso tem reflexo no ranking de vendas. Claro que a vida útil de Onix e companhia ainda será longa, já a permanência deles no topo do ranking de vendas, não se sabe. O ciclo pode estar se fechando.

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